Ah, se eu soubesse…

Um jargão inibidor usado por muitos como uma atitude mental consoladora.

Essa expressão é um jargão usado por muitos quando se dão mal em algum negócio ou experiência pessoal, como uma atitude mental consoladora.

Há poucos dias tive a oportunidade de presenciar e mediar um “embate” entre dois sócios acerca do resultado negativo de um projeto desenvolvido pela empresa, que quase os levou à falência. Durante mais de duas horas a discussão teve como mote a divergência de ponto de vista, claramente observada entre eles. O mais experiente argumentava que sabia que não ia dar certo e o outro, bem mais jovem, contestava porque o projeto foi implantado com a aprovação dos dois, portanto não aceitava os argumentos apresentados pelo sócio. E, assim, eles vêm se desentendendo ao logo de mais de um ano, desviando o foco do negócio, discutindo um problema, sem buscar a solução para a situação delicada que a empresa se encontra, causada por esse problema.

Essa experiência evidencia uma prática muito comum em situações de conflito, que é a busca de culpado(s), quando o resultado de qualquer iniciativa não é o que se esperava, mas o contrário, ou seja, quando acontece conforme estava planejado, todos assumem a autoria da iniciativa, isto é, querem a “paternidade da criança”.

Em outra ocasião, enquanto ministrava uma palestra sobre excelência em atendimento um jovem dirigiu-me a seguinte pergunta: Professor, o que devo fazer para não cometer erros? Sem vacilar, respondi: Deixando de fazer, porque só não erra quem não faz.

Essas duas experiências e outras tantas que já vivenciei me levam à conclusão de que poucos querem se expor ao risco de errar, esquecendo de que “quem não estiver disposto a encarar o fracasso, jamais alcançará o sucesso” e vivem na eterna expectativa de que têm um sonho, conforme uma jovem que orientei afirmou: “tenho muitos sonhos, mas não tenho coragem de dar o primeiro passo porque tenho medo de errar”.

Para esses indivíduos que não se dispõem a correr riscos, que vivem responsabilizando os outros pelos seus insucessos e para os que vivem eternamente no mundo irreal dos sonhos, sem ter coragem de romper a inércia, gostaria de sugerir uma mudança de atitude a partir da elaboração de um planejamento, envolvendo pesquisa e a avaliação de riscos, para não ter que dizer: ah se eu soubesse!

Outro fator importante que deve ser considerado na análise de resultados é que quando a decisão foi tomada, o quadro ou contexto se apresentava favorável, porém a velocidade atual das mudanças pode alterar o cenário de qualquer segmento de mercado ou setor da economia durante a execução de um projeto ou empreendimento. A volatilidade, atualmente, é uma característica comum a muitos segmentos de mercado, portanto, viver lamentando um resultado reverso não me parece uma postura inteligente. O que se deve fazer é avaliar, criteriosamente, todas as etapas do cronograma e identificar em que fase as falhas aconteceram e suas possíveis origens, ficando a recomendação final sobre a importância da aplicação do Ciclo PDCA em qualquer projeto ou empreendimento, agindo assim, poucas vezes será preciso dizer “ah se eu soubesse…”.

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