Os 3 maiores problemas entre sócios

Empreender é como arrastar uma pedra gigante por um caminho tortuoso, cheio de dificuldades. O papel de um sócio é ajudar você a arrastar a pedra gigante até seu destino. E quando a empresa está começando, ter sócios com competências complementares é fantástico para fazer a empresa progredir já que serão menos funcionários para contratar e os sócios tem a mentalidade de dono do negócio.

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Porém, o que deveria ser muito vantajoso para todas as partes pode se tornar um sério problema se não houver uma afinidade entre as partes e você acabar arrastando a pedra sozinho.

1 – Falta de comunicação

Cada sócio tem que ser escolhido por ter algo a acrescentar ao negócio seja pelo seu perfil, seus recursos, sua experiência ou seus contatos. E o papel que ele vai ocupar na empresa tem que ser baseado no que ele pode acrescentar e não necessariamente só no que ele “gosta de fazer”.

Os sócios tem que conversar a todo momento e discutir os problemas da empresa e novas ideias para o negócio. Por mais que um sócio não goste de lidar com as finanças, ele precisa saber exatamente o que está acontecendo na área de finanças.

2 – Motivações diferentes

Existem muitos motivos para se entrar em um negócio. Cada pessoa tem suas razões específicas e essas razões fazem as pessoas trabalharem pela empresa.

O problema é que quando os sócios tem motivações muito diferentes, isso pode afetar a cooperação entre eles. Isso porque existem aqueles motivados por um ideal, outros querem aproveitar uma oportunidade, alguns empreendem pelo dinheiro e existem aqueles incautos que empreendem achando que vão trabalhar menos.

Ana e a Bia montaram um salão de estética juntas. Ana quis empreender porque sabe que pode criar um salão diferente dos outros trazendo serviços especiais, mas Bia quis empreender porque ela não aguentava seu emprego e achou que sendo dona de um negócio ela iria trabalhar pouco e ganhar muito.

Ana é a dona do negócio que trabalha das 8h às 22h enquanto Bia é a dona do negócio que chega às 11h e saí às 17h. Ana vai se sentir injustiçada e as duas vão brigar, podendo até levar o negócio para o fundo do poço.

3 – Sócio não é cargo

Em paralelo com a falta de comunicação estão a falta de liderança e falta de papeis definidos. Os sócios não trazem sua experiência e perfil diferentes à toa, é preciso que eles sejam responsáveis pelas áreas em que há maior benefício para a empresa.

Como sócios eles devem tomar decisões globais juntos, mas cada um deles deve se responsabilizar por uma área da empresa para que a empresa progrida de forma mais inteligente e não dependa só de um dos sócios para resolver tudo.

Ana adora atender os clientes e interagir com as pessoas, então o sensato é que ela fique responsável por garantir a qualidade no atendimento. Bia gosta e lida muito bem com as finanças, então ela deveria assumir a responsabilidade do setor financeiro do salão.

Elas devem entrar num acordo e definir o horário de trabalho e salário de cada uma. Lembre-se que o salário é definido pelo papel que a sócia exerce e não de acordo com o percentual de participação na sociedade. Então além do salário (pro labore) elas ainda vão repartir o lucro que o salão de estética tiver gerado, este sim de acordo com a participação de cada uma das duas sócias.

Se por acaso Bia decidir abrir mão de trabalhar na empresa e preferir só frequentar algumas vezes na semana para observar as coisas, ela deixaria de receber seu pro labore e só iria receber a participação dos lucros, quando e se houver lucro a ser repartido.

A sociedade é perfeita quando as motivações são as mesmas, tudo está bem planejado no papel e as funções são bem definidas. A grande vantagem está em você ter na sua empresa uma pessoa com habilidades que complementem as suas e vice-versa.

Mas como num casamento, a sociedade tem que ser bem estudada para funcionar sem que haja um litígio gerando perdas para todas as partes, principalmente para a empresa.

E quais outros problemas você acha que são críticos entre sócios?

Rafael Honorato

Rafael Honorato é consultor de gestão e instrutor de Alta Perfomance, fundador da Revolutia, consultoria especializada em ajudar pequenas e empresas.

Aplica cursos e programas de impacto na Escola Lidero, escola de competências e Alta Performance. Autor de “Os 7 Elementos das Pequenas Empresas“.

Fale com Rafael: rafaelhonorato@gmail.com

5 Replies to “Os 3 maiores problemas entre sócios”

  1. […] o melhor a fazer é aprender a controlar a retirada dos sócios da mesma forma que ocorre com os funcionários. Com data e valor fixados. E nada de usar o cartão […]

  2. FRANCISCO DE ASSIS SABINO VIANA says: Responder

    A COMUNICACAO ENTRE OS SOCIOS E MUITO IMPORTANTE POIS A EMPRESA NECESITA DESTA COMUNIÇAO PARA CONTINUA PROGREDINO,ONDE NA MAIORIA DAS VEZES UM QUE TRABALHA MENOS QUE O OUTRO SOCIO ONDE ACABA GERANDO CONFLITOS AS VEZES CHEGA QUE O NEGOCIO NAO DA CERTO POR ESSES MOTIVOS A EMPRESA VAI A FALENCIA

    FRANCISCO DE ASSIS SABINO VIANA

    CIDADE DE OCARA
    CURSO DE RH

    1. Juliana Guerra says: Responder

      O mais difícil nas sociedades é saber gerenciar momentos de crise financeira. Navegar em mares calmos é fácil, difícil é domar o barco quando ele ameaça naufragar. Percebo que quando as coisas não vão bem financeiramente eu e meu sócio começamos a brigar, um culpa o outro e ninguém se entende. Estamos juntos há 9 anos, temos uma parceria maravilhosa mas acredito que a amizade que surgiu entre nós tenha sido fundamental. Eh cliché falar isso, mas sociedade é como um casamento e quanto menor o negócio mais parecido com um casamento ele é. Todos os envolvidos devem tolerar-se, já que se amarem sempre é impossível. Tolerância, paciência, empatia, além dos dons necessários ao empreendedorismo, são características muito importantes e devem estar presentes na sociedade. Cada um deve ter a exata compreensão da importância que o outro tem para o sucesso do negócio. A visão precisa ser ampla, se uma sócia gosta de colocar a mão na massa e trabalhar 16 horas por dia isso é ótimo. Entretanto, é possível que o grande captador de clientes seja o outro sócio que trabalha apenas 5horas por dia. Um sem o outro, fracassa. Outra visão a ser combatida é o lucro fácil. Quem dera que fosse assim, trabalhar para si tem seus onus e bonus, o lucro é nosso, mas o prejuízo também é.

  3. Tenho uma sociedade onde o meu sócio não sabe seguir regras, não tem interesse em conhecer os processos impostos, não lê os documentos que são apresentados, acha que pela idade que tem, sabe exatamente como lidar com todas as situações. Hoje trabalhamos com orgãos públicos, temos quase 300 funcionários, e muita burocracia…porém ele não entende que uma assinatura no local correto do documento, um preenchimento correto de uma ficha de EPI, a colocação de data em uma ordem de serviço seja importante….e quando cobrado, fica bravo e acha que sempre está certo….protege os funcionários com unhas e dentes….não trabalha em favor da empresa…

    1. Situação bem delicada a sua, Everson.

      É preciso analisar como está delineado o limite de cada sócio. Se as decisões ruins e arrogância dele estão atrapalhando o seu trabalho diretamente, procure listar esses pontos onde ele atrapalhou o processo e mostre pra ele em particular, numa boa.

      Mostre também como ele poderia ter agido diferente e a diferença que isso faria.

      Vocês são sócios, adultos e estão do mesmo lado. Não tem que existir ego frágil nem arrogância no meio dessa relação, senão a empresa e os funcionários é quem vão sofrer.

      Faça isso e depois me conte o que aconteceu. Boa sorte!

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