Carta para 2018

Muitas vezes no decorrer de nossas vidas percebemos que uma parte passa a definir o todo. Foi assim com este ano de 2017. Aonde um simples mês o definiu como inesquecível, como eterno. Não por fatos alegres e bons, mas por fatos que de tão tristes e simbólicos jamais sairão de minha memória.

Não quero parecer ingrata e deixar de agradecer a Deus por todas as bênçãos que ele concedeu a mim e a minha família no decorrer deste ano, por todos os livramentos e provisões, por mesmo em meio a lutas e dificuldades não nos ter deixado faltar nada, pois Deus é fiel e cuida dos seus o tempo todo.

Porém, quando reflito que uma parte às vezes define o todo, refiro-me ao mês de junho, um mês difícil, complicado e marcante não apenas para mim, mas para minha família.

Logo no comecinho de junho sofri aborto espontâneo, e no dia sete perdi meu segundo filho, foi muito doloroso tanto fisicamente, quanto espiritualmente. Não, não desisti, ou melhor, eu e meu esposo não desistimos do sonho de sermos pais. Demos um tempo e continuamos crendo que tudo ocorrerá no tempo de Deus, em momento que Ele julgar oportuno.

No vigésimo terceiro dia desse mesmo mês, perdi minha tia avó. Irmã de minha vó materna, posso dizer minha segunda vozinha. Minha inesquecível titia Tonha, com seu jeito extrovertido de falar, de se expressar. Como esquecer você dizendo: Glóoooria a Deus!!! Como titia? Como falar da senhora e não lembrar do seu carinho? Da sua vaidade? Minha titia, nossa titia, nunca serás esquecida, nem por mim, nem por sua noooona filha, nem por nenhum de nós daqui de casa.

No finalzinho de junho, ele se despediu a caráter, e no dia trinta ele levou consigo minha vó, não qualquer vó, minha vó materna, minha vó Do Carmo. Minha vó guerreira, minha vó de sangue índio correndo nas veias, coisa que ela falava com tanto orgulho, aliás “orgulho” era uma palavra que ela odiava… Vó, sei que a senhora está descansando agora e que ainda iremos nos reencontrar. Estamos cuidando bem do tio Tonho viu! Vó, às vezes fico lembrando quando a senhora vinha contar suas historias e alguém sempre dizia: de novo esta história? Hoje percebo que muitos ouviam, mas poucos escutavam e hoje se atrevem a contá-las. Como me esquecer de seus versos? Suas rimas? Seu baião de dois? Seu café? Os terços que rezava no dia de seu aniversário? Os hinos que cantava? Como esquecer seus cabelos brancos com pente na cabeça? Os lençóis de retalho que fazia? Sua raiva de comida? Seu fogão a lenha? Como faço pra esquecer seu olhar acinzentado? A manchinha no seu rosto? As brincadeiras e barganhas que fazia pra tentar fazer você comer um pouquinho mais? Na verdade vozinha, não preciso esquecer-me de nada, não preciso apagar essas lembranças de minha mente e de meu coração. Não preciso, não quero, não devo… Porque a senhora é e sempre será a inesquecível Vó Do Carmo!

Não quero parecer aqui o muro das lamentações, das queixas, ou das murmurações. Quero aqui expressar que apesar de todas as lutas, de toda tristeza, de toda decepção, continuo de pé, ao lado dos que amo e que verdadeiramente me amam. Aqui compartilho apenas uma parte, de tudo que foi o meu todo, não significando que não sorri, não abracei, não conquistei…

Recebi muitas bênçãos, conheci uma turminha de guerreiros maravilhosa, à qual estou tendo o prazer de orientar. Fiz muitos clientes e amigos na área profissional. E minha família que é minha base está de pé.

Estava há tempos sem escrever, precisava desse desabafo para recomeçar. Espero que entendam…

Você, que está lendo estas palavras agora, com certeza também enfrentou problemas e adversidades, ou ainda está enfrentando, estas palavras são para que saiba que você não está sozinho.

Que eu e você estejamos preparados para recebermos 2018. Que estejamos fortalecidos pela fé e pela graça. Que este ano venha cheio de bênçãos, saúde e vitórias. Deus seja conosco, agora e sempre!

Amém!

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