Limites para o preconceito

preconceito

Até onde o ser “humano” é capaz de ir para demonstrar seu ódio e preconceito para com outro ser humano? Conseguimos enxergar a origem, o motivo, mas não vemos o fim de tantas maldades.

Pessoas maltratando e até matando a outras, pelo simples fato de não serem de acordo com o que julgam ser certo.

Não venho aqui defender a sexualidade de ninguém, muito menos julgar. Sou evangélica, sei que através dos Dez mandamentos identificamos muitos pecados, assim como muitos tipos de pecadores, mas a mesma palavra nos ensina: “não matarás (Êxodo 20:13)” ou “amarás o teu próximo como a ti mesmo(Mateus 22:39)”.

O que quero dizer é que não existem motivos para excluir, maltratar, humilhar, assassinar pessoas por preconceito ou por julgamentos desumanos que não edificam, nem trazem renovação para ninguém.

Cito como exemplo um caso recente acontecido aqui em nosso estado do Ceará, que ficou internacionalmente conhecido como o caso Dandara, uma travesti de 42 anos de idade, que foi espancada e assassinada a pauladas e tiros. Como se não bastasse, filmaram toda a ação cometida covardemente por no mínimo oito envolvidos.

Pessoas de estômago e coração forte já assistiram ao vídeo postado nas redes sociais. De minha parte, as fotos que divulgaram com seu rosto triste e ensanguentado minutos antes de falecer, já foram o suficiente para cortar o meu coração.

Dandara foi mais uma vítima do ódio e do preconceito, após sua morte vária ações sobre o tema está sendo levantadas, não só em nível de estado, mas nacionalmente.

É necessário urgentemente voltarmos a ter sangue correndo nas veias, ter sentimentos no coração, olharmos para o próximo com olhar de misericórdia. É necessário buscarmos mais que empatia: buscarmos o altruísmo em nossa sociedade. Ver adolescentes e adultos juntos em plena luz do dia, abatendo covardemente uma pessoa que não os atacava, nem tampouco conseguia se defender, dói…

Se você não se comove ao saber desse ou de outros casos, cuidado! Seu nível de preconceito pode estar alto.

Hoje Dandara não mais sente, não mais ouve, não mais ver, mas está sendo símbolo de uma luta contra a discriminação. Os que ficam sentem, ouvem, veem. Sua mãe Francisca Ferreira de Vasconcelos, de 74 anos de idade, foi sempre companheira do “filho” e apesar de aceitá-lo, foi assim que o chamou até sua morte. Em um encontro com o governador de nosso estado, Dona Francisca soltou o seguinte desabafo “Açoitaram meu filho, governador. Fizeram tanta coisa ruim com ele… O senhor sabia que o sangue dele escorria pelo rosto, e ele ia limpando com a mãozinha assim? Minha maior dor é que ele chamou por mim. Enquanto batiam nele, ele dizia: ‘Eu quero minha mãe. Cadê a minha mãe?’ E eu não estava lá”.

Se as palavras acima não tocam o seu coração, o que mais irá tocar? Essa é a dor dos que ficam, essa é batalha dos que ficam.

Mais que um artigo de opinião, deixo aqui um desabafo meu. Como evangélica, mostrar que não é matando que se busca salvar alguém. Jesus não ensinou a atirar pedras na prostituta, pelo contrário, primeiro ele ensinou a todos a se auto avaliarem, nessa auto avaliação todos puderam perceber que também eram pecadores, alguns até sentiram que podiam ter cometidos erros mais graves que aquela mulher. Depois o Mestre ensinou a perdoar, e através do seu perdão ele mostra o novo caminho que a pessoa deve percorrer “Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais. (João 8:11)”. Perceba, que o único que podia julgar e condenar: perdoou! Como cristã, aprendi que o amor é a melhor linguagem para a comunicação e entendimento entre os homens.

Como pessoa, aprendi que não sou melhor que ninguém, que devo respeitar, que devo conviver com diversos tipos de cores, culturas, saberes e opiniões pacificamente. Afinal, “Respeito é bom e todo mundo gosta” diz o velho provérbio popular.

A vida é dada por Deus e só por ele deve ser tirada, que os limites das suas crenças, das suas leis, do seu julgo, não venham a ultrapassar o limite da vida!

Meu respeito à família de Dandara, meu respeito a todos que passam por esta luta diária que é a de se viver numa sociedade tão malvada e corrompida.

Meus parabéns aos que enxergam a alma antes do corpo, aos que percebem o valor de cada homem sobre esta terra. Que percebem que todos tem uma função, um objetivo a ser cumprido.

Busquemos juntos esse mundo melhor, com sabedoria e discernimento. O justo juiz virá, deixemos para ele o papel de julgar e condenar.
Façamos o papel de ovelhas que é o de gerarmos mais ovelhas, e esqueçamos o papel de açougueiro que é o de abater.

3 Replies to “Limites para o preconceito”

  1. Paulo Filho says: Responder

    É verdade, precisamos de altruísmo. Precisamos amor ao próximo como a si mesmo.
    Esses fatos só mostram que vivemos em um mundo cada vez mais violento e preconceituoso,
    é preciso que revejamos nossos valores morais, sociais, normativos, constitucionais, penais e religiosos. Caso contrário não existirá mais sociedade.
    Acredito, também, na providência de Deus.
    “Por meio da sua própria malignidade, o perverso é derrubado; os justos, entretanto, ainda que diante da morte, encontram consolo e esperança”.Provérbios 14:32

    1. Simone Barroso says: Responder

      Concordo plenamente!

  2. Artigo firme e esclarecedor! É importante percebe a vasta pluralidade cultural existente em nossa sociedade. Que mais pessoas possam desconstruir-se de “preceitos e valores” que ferem os direitos de ir e vir do próximo. Parabéns!

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