Órfãos de paz

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Neste mês de março de 2017 completaram-se seis anos da guerra na Síria. Guerra esta classificada pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o pior desastre da humanidade desde a segunda guerra mundial.

A mesma segue sem prazo para terminar, com seus números cada vez mais chocantes. Segue alguns deles para ilustração:

    • Antes da guerra, a população da Síria era estimada em 23 milhões. Hoje o país tem um pouco mais de 17 milhões;
    • Ao menos 400 mil pessoas morreram em decorrência da guerra;
    • 11 milhões tiveram de fugir de suas casas;
    • 5 milhões estão em situação de refúgio;
    • A expectativa de vida na Síria era de 75,9 anos. Hoje é de 55,7 anos;
    • 80% da população vivem em extrema pobreza;
    • A taxa de desemprego está em 57,7%;
    • 83% da rede elétrica no país não existem mais;
    • A produção de alimentos na Síria caiu 40%;
    • O preço do pão aumentou 1.000%;

 

  • 6 milhões de crianças foram afetadas pelo conflito. 4 milhões delas estão fora da escola. (Fonte: Revista Exame.com em 15/03/2017)

 

Dentre tantos dados e informações tristes, quero me ater aos últimos números. Saber que existem neste momento mais de seis milhões de crianças em meio a uma guerra, e o mais triste ainda: saber que para muitas dessas crianças a guerra é a única realidade que conhecem.

Crianças que nasceram a partir de 2011 simplesmente não sabem o significado de muitas palavras que para nós são tão corriqueiras: sorrir, amar, felicidade, alegria e finalmente PAZ…

O estranho é que como nasceram em meio à dor, o que para nós é motivo de choro e espanto, para elas é algo normal, já faz parte de seu cotidiano. À exemplo disso, temos o caso mundialmente conhecido em que após um bombardeio na cidade de Aleppo em 2016, uma criança de 5 (cinco) anos chamada Omran Daqneesh, foi resgatada dos escombros e levada por uma ambulância para ser atendida. Omran ficou ali atordoado, machucado, sujo de pó e sangue. Em seu rosto transtorno e falta de paz, assombro, mas não havia choro, não havia lágrimas…

Falo de crianças que neste momento estão famintas, com pais já mortos pela tragédia, ou com pais desempregados sem terem como sustentá-las. Falo de crianças que crescerão (se crescerem) humilhados por sua ignorância e falta de conhecimento, pois não sabem o que é ir a uma escola. Essas crianças ao dormirem não sabem o que significa sonhar. Quando conseguem pegar no sono, só lhes restam o pesadelo de reviverem as tragédias, a morte  e as explosões que presenciam durante o dia.

Dias esses, que não são brilhantes e leves como os nossos na maioria das vezes são. Esses dias são nublados por fumaça, são cinza. Os pulmões puxam apertadamente o oxigênio, os olhos lacrimejam devido aos gases que permeiam o ar. Suas pernas estão cansadas não de brincarem no parque, mas de andarem sobre escombros que aumentam a cada dia. A casa, o prédio, a rua que ontem viam, hoje já não existem mais…

Vivem neste mundo em que não há planos, projetos ou motivação para construir, por que sempre virá algo depois para destruir.

Tento chamar atenção não somente da ONU, mas de todas as autoridades competentes que puderem interpelar e interceder por estes pequenos civis. Se nossas crianças são o nosso futuro, não veem que a Síria está fadada a não tê-lo? Você pode estar se perguntando: “… e o que tenho a ver com a Síria?” Enquanto esse país não tiver paz, todos os outros serão afetados por emigrantes querendo refúgio e sobrevivência em seus territórios. O problema é de todos sim.

Há muitos órfãos de pais em nosso mundo, mas olhemos para a Síria e tentemos de alguma forma ajudar aos ÓRFÃOS DE PAZ!

8 Replies to “Órfãos de paz”

  1. julio césar says: Responder

    Parabéns pela profunda reflexão diante de um caos de um povo, de um nação sofrida, criança a beira de um ataque de estérico, de panico, de depressão, de pavor, de ausência de amor, de perda. Muito bom o seu texto pois traduz uma realidade em que acredito que caberia a todos nós nos reunirmos e fazermos uma grande revolução da busca pela paz, de dizer não a guerra, a discórdia e dizer sim ao amor, a solidariedade. Você escreveu muito bem o que este povo está sofrendo, o que estas crianças estão sentindo.

    1. Simone Barroso says: Responder

      Que minhas palavras sirvam para retratar cada vez mais realidades de pessoas sem voz…. Grata pelas palavras Mestre!

  2. julio césar says: Responder

    Muito bom o seu texto, você está de parabéns. Este texto reflete de forma sucinta um caos de uma sociedade sofrida. Crianças sofrem a loucura dos homens grandes. Infelizmente isto nos faz meditar a falta de humanismo, de descaso ao ser humano.

    1. Simone Barroso says: Responder

      Nos faz meditar e refletir o quanto o ser humano está cada vez mais desumano…

  3. julio césar says: Responder

    Infelizmente, até quando estaremos vivenciando esta discórdia coletiva, crianças vivenciando a ira dos homens, crianças perdendo os seus pais, a sua identidade, perdendo o que há de mais precioso na vida. O viver de forma livre, brincar enquanto crianças, estudar, serem amadas….Parabéns a autora pelo brilhante passeio que ela faz com o jogo de palavras que norteiam uma realidade que muito nos entristece.

    1. Simone Barroso says: Responder

      Agradeço as palavras meu grande amigo Prof. Julio Cesar!

  4. Paulo Filho says: Responder

    É lamentável que a guerra da Síria ainda dure por tanto tempo.
    Será que esqueceram que existe o dialogo? E então presidente Bashar al-Assad,
    homem inescrupuloso e brutal. E a todos os países que financiam a guerra. Países esses que já tem grande histórico em guerras e conflitos. Poderia citar como exemplo a Rússia.
    Deixo o meu repúdio a guerra na síria.

    1. Simone Barroso says: Responder

      Verdade, sábias palavras..

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