Reflexões sobre a vida

É preciso viver como se apenas esta vida existisse, sem esperar recompensa ou castigo após a morte.  É suficiente  viver  o amor de que fala o Cristo, pois o próprio amor, pleno em si mesmo,  dispensa qualquer recompensa.  Viver fazendo esta vida depender da outra pode criar bloqueio ou acomodação inconsciente, com nefastos efeitos sobre  o ser, impedindo o reto agir. É durante  o fazer ou o viver  que se deve sentir a satisfação da obra ou da vida, e não depois. Não disse Aristóteles:  “O prazer do trabalho aperfeiçoa a obra.”? Em que  consiste, então,  o sentido da vida, se esta  não depender da outra existência? O sentido da vida é vivê-la, não como um  porco feliz, mas como  o homem que pensa e ama, sofre e aprende, angustia-se  e faz da angústia um meio de autotransformação,  cresce e evolui, e, como tudo que começa, tem um fim. Quem vive  esta vida pensando na outra corre o risco  de  assemelhar-se àquele que sofre  de dupla  personalidade, não conseguindo encontrar unidade em si mesmo, pois não é possível viver ao mesmo tempo o  presente e o  futuro. Seria um caminho rumo  à frustração.  O futuro é consequência inevitável do presente, mas não é o presente. Portanto,  a misteriosa vida pós-morte só pode ser inevitável consequência da vida presente! Tal duplicidade torna-se mais grave quando se observa que o século vinte e um é o século do ateísmo disfarçado ou inconsciente,  pois não basta falar o nome de Deus e repeti-lo. O conteúdo dessas falas e repetições não tem sido,  na  maioria  das  vezes,  religioso, mas político, sociológico,  psicológico, ainda que superficial. O verdadeiro ateu é o que fala e prega o nome de Deus e vive na contramão  do  amor nas circunstâncias simples ou graves  da vida.  O ateu do século 21 não crê nem em si mesmo, como poderia acreditar no imanente e  transcendental?
Seria absurdo!

É preciso viver como se apenas esta vida existisse, sem esperar recompensa ou castigo após a morte. É suficiente viver o amor de que fala o Cristo, pois o próprio amor, pleno em si mesmo, dispensa qualquer recompensa.

Viver fazendo esta vida depender da outra pode criar bloqueio ou acomodação inconsciente, com nefastos efeitos sobre o ser, impedindo o reto agir. É durante o fazer ou o viver que se deve sentir a satisfação da obra ou da vida, e não depois. Não disse Aristóteles: “O prazer do trabalho aperfeiçoa a obra.”?

Em que consiste, então, o sentido da vida, se esta não depender da outra existência? O sentido da vida é vivê-la, não como um porco feliz, mas como o homem que pensa e ama, sofre e aprende, angustia-se e faz da angústia um meio de autotransformação, cresce e evolui, e, como tudo que começa, tem um fim. Quem vive esta vida pensando na outra corre o risco de assemelhar-se àquele que sofre de dupla personalidade, não conseguindo encontrar unidade em si mesmo, pois não é possível viver ao mesmo tempo o presente e o futuro. Seria um caminho rumo à frustração. O futuro é consequência inevitável do presente, mas não é o presente. Portanto, a misteriosa vida pós-morte só pode ser inevitável consequência da vida presente!

Tal duplicidade torna-se mais grave quando se observa que o século vinte e um é o século do ateísmo disfarçado ou inconsciente, pois não basta falar o nome de Deus e repeti-lo. O conteúdo dessas falas e repetições não tem sido, na maioria das vezes, religioso, mas político, sociológico, psicológico, ainda que superficial. O verdadeiro ateu é o que fala e prega o nome de Deus e vive na contramão do amor nas circunstâncias simples ou graves da vida. O ateu do século 21 não crê nem em si mesmo, como poderia acreditar no iminente e transcendental?

Seria absurdo!

2 Replies to “Reflexões sobre a vida”

  1. Julio César says: Responder

    Parabéns pelo brilhante artigo, muito bom.. Reflexivo, como sempre mais uma obra de fôlego.

  2. Ivaldo Lima says: Responder

    “Reflexões sobre a vida” evoca a necessidade de vivermos o presente
    com vivacidade. O Prof. Sousa Nunes, autor do brilhante texto, com sua criticidade e sensibilidade aguçadas vai direto ao ponto, despertando a atenção do leitor acerca da efemeridade da vida ante a crença especulativa de outra: a vida eterna [contrapõe-se à vida ad eternum]. Assim, o autor expõe sua análise, de forma concisa, enxuta e racional pautada na visão sistêmica de mundo — mundividência —, cujas nuances apontam para a valoração da vida presente. Nessa mesma linha de raciocínio, Sousa Nunes pormenoriza sua reflexão, fundamentando-a com coerência e consistência nos ensinamentos de Aristóteles, pensador basilar escolhido assertivamente para a tessitura de sua obra. Nessa perspectiva, é notável a amplidão de conhecimento do insight escritor, pois suas ideias remetem também a Heráclito de Éfeso, cujo entendimento filosófico vai na contramão de de outro filósofo: Parmênides. Por isso cito Heráclito, pela intertextualidade com a temática em apreço, senão vejamos:
    “Não se pode percorrer duas vezes o mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado; por causa da impetuosidade e da velocidade da mutação, esta se dispersa e se recolhe, vem e vai”, conforme Diels-Kranz (Os fragmentos dos pré-socráticos, pág 91). Assim, tanto para Aristóteles quanto para Heráclito o devir — devir (do latim devenire, chegar — é um conceito filosófico que significa as mudanças pelas quais passam as coisas. Em face do exposto, é clarividente que “Reflexões sobre a vida” soa como um alerta para as mudanças significativas do ser ante a efemeridade da vida, e cujo interesse do autor é chamar a atenção para a vivificação — ressignificação — do espírito humano em prol de uma vida terrena mais equilibrada e plena. Tudo isso antes que Ela, a morte, chegue diáfana, transparente, invisível, antiquíssima, atual e ertena. Assim se referia Moreira Campos à morte em “Dizem que os cães veem coisas”.
    Parabéns pelo seu brilhante texto, Sousa Nunes, Professor e Amigo com o qual tenho a honradez de aprender cotidianamente, porque afinal, redundância à parte, o presente é agora […]

    Com esmero: Ivaldo Lima

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