Rio da vida

Quando pensamos constantemente em nós mesmos, focando principalmente os problemas que nos afetam ou nos podem afetar, enfraquecemos a energia psíquica e afundamos a mente, deprimindo-a, roubando a alegria de viver. Nesses momentos, é preciso tirar o foco de si e olhar para as coisas, curtir sua efemeridade, como um rio que passa sem apego às próprias águas, que ele deixa para trás ou deixará de ser rio.

Apegar-se à própria mente é tão insensato quanto desprezá-la. A mente-rio precisa cumprir o seu destino, que é fluir sem cessar, renovando constantemente suas águas-pensamentos. As águas do passado podem ser perigosas e não movem mais o moinho da vida. Lá no passado a vida é museu, que às vezes nos convém visitar, mas nunca fixar moradia.

A tristeza de outrora perde força quando olhamos para ela com o  olhar que se deixar levar pela incessante correnteza  do rio-mente cujas águas cumprem inexoravelmente seu destino: não estagnar, para não virar poço  e secar ou apodrecer, como muitas vezes acontece com as mentes que param no tempo, presas em si mesmas, naquele ponto traumático que convém superar, pois ele  já não pertence ao hoje, o único tempo  que ainda nos resta percorrer nesta tão singular existência que podemos chamar de  mar ou oceano da vida.

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