Letras doutas crepitando lenhas de perspectivas

Tanakena phylos gene
Não existem “eu”, alma ou ego perpétuos
Tharsis ad infinitu siga rena
Somos todos o mesmo e grande “um”
Calis ipsis noka sena
Participamos de uma unidade mística
Não espaço-temporal.

Oh, melancolia!… Oh, nostalgia!

Dos sítios distantes ou longínquos que não foram bastante con-templados às primeiras luzes do dia, raios do sol, trinados de pássaros, amados na hora passageira, ganidos de cães vagabundos, senhora idosa varrendo a calçada de sua residência, como amaria eu de lhes dar, à distância, o toque esquecido, o gesto negligenciado, a ação suplementar.

Invento-os eu, minhas mãos desenham um semi-arco-íris, um barco à luz do céu por sobre as florestas, um nublado que se esvaece e que des-aparece como num fogo de imagens, chamas crepitando lenhas de perspectivas. Coisas enigmáticas, sopro que cresta as faces e dissipa as palavras.

Não levo o “poeta” a sério, ele não é mais que a condição primária de sua obra, o seio materno, o húmus e às vezes o esterco do terreno em que brota. É triste, mas é típico.

Sigo a neblina solitário, sigo a calçada com passos lentos, adiante nada mais será de mim… atrás de mim nada mais é.

Efêmeros raios de sol. Numinosos brilhos de presente “Ser”. Luminâncias de pretéritos do “Tempo”. Sibilos do tempo ritmando o ser. Logo pela manhã, vai-e-vem, vis-à-vis, vice-versa de idéias e sentimentos inda a serem des-vendados, des-enovelados na rede do tempo e das contingências.

Soul de melancolias, nostalgias, saudades. Jazz de tristezas, solidões, murmúrios de sofrimentos e dores. Blues de carências, ausências, faltas, falhas. Folk de devaneios roçagando as sorrelfas letras mais doutas escritas nos pré-textos das idéias que subvertem a realidade e o tempo. Surge a música, entrelaça aos milhões os sons aos sons pra varar, lado a lado, a alma humana
de todo a afogar em eterna beleza: marejado o olhar, na mais alta saudade
sente o preço divino dos sons e o das lágrimas.

Deslizando suaves no crepúsculo de melancolias, luminosas esperanças de fin-itude outra perpassando o tempo de in-finitos desejos do Verbo “Ser” tecendo ilusões, em cujos idílios nonadas re-fazem travessias, em cujas elegíacas pontes partidas re-criam espaços, comungam mistérios e magias em laços de amor pelo que há-de vir de alegrias, dores, pelos projetos por virem no tempo, pelas utopias por se a-nunciarem no vôo das águias de outros caminhos e sendas em direção à plen-itude do in-finito, em cuja essência habita o uni-verso, em cujo cerne habita o além, além esvaído, além esvaecido, além eterizado, trans-literalizado do sono profundo que sonha a verdade, re-nascendo de estrofes o ritmo do silêncio que re-vela a luz a iluminar o entre-árvores do silvestre da floresta aberta às estrelas a guiarem o caminheiro do verbo “brilhar”, a orientarem o sendeiro da luz “res-plandecente”, outras gêneses, princípios outros da alma que con-templa o espírito da vida.

É coisa divina das terras de bem-virá à luz da solidão, levando alegria onde há paixão, ao espírito do silêncio, luminando felicidades onde há amor, suprassumem vozes que murmuram ao peito o cântico de pássaros na aurora de novo dia, saudando a natureza, jubilando a glória ipsis litteris do amor ao Ser-{da}-Vida,

ipsis verbis da vida ao Ser-{do}-Amor,
de poetas na poiésis do verbo
declamando a fé –
“When I find myself in times of troubles/
Mother Mary comes to me/
Whispering words of wisdom…”

– na esperança do amor se tornar a felicidade, da amizade ser o segredo de ser-[de]-outro-eu, de boêmios na des-lucidez da alma e dos sensos, dedilhando nas cordas dos amores não correspondidos as notas de tristeza, dos fracassos dos sonhos não realizados, dos prazeres não podidos realizar, das quimeras molhadas no travesseiro dos medos, de escritores na estética da utopia sertaneja, versificam palavras-esperança-e-fé, A consciência-ética do Ser-Verbo-de-Esperança.

À água que goteja e segreda a partida, conduz às grutas fechadas, histórias, lendas, mitos, causos, ocasos de papéis bucólicos de linhas, margens, coisas enigmáticas.

Só o Amor é a Esperança da Vida. Só a Fé é o Sonho da Eternidade. Só a Amizade é a Iluminação da Verdade.

Lembrança saudosa e não de todo mais que pretérita, infinitiva, remota, rindo por dentro, sorriso solto, nascido do nada, chamo-lhe espontâneo, vendo que lançarei uma ponte dos passos loucos da alegria à incontinência de in-auditas desejâncias e ocasos numa via de fogo e sob um arco lúdico, quiçá, nada mais que quiçá, claustrando a rosa esparsa.

(**RIO DE JANEIRO**, 02 DE FEVEREIRO DE 2018)

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