Músicas de raios de sol

Revolvo-me inquieto
e perspicaz,
como se intencionasse
uma posição para viver,
se propulsasse em mim
Um estilo de dormir,
Linguagem de dormitar,
Poesia de ressonar,
Versos de sonhar.

Ser-tao de nada volátil, ser-tao de vazio volúvel, ser-tao de naúseas veladas de veludosas con-tingências do tempo, vacuidades in-fin-itivas verbalizadas de maresias, as verdades do ser custam o nada do tempo e a verdade do nada custa a cor-agem dos sonhos e esperanças.

Sentimentos ultrapassaram a capacidade, foram em demasia.Voz ausente, falhada, resta apontar o coração com empáfia e oratória, por que não com insolência e eloqüência, com a numinosidade dos raios de sol e erudição? Por que não com percuciência e rebeldia? Olhar de viés o que é re-verso às fantasias, de soslaio o que é in-verso às quimeras, de esguelha o que é avesso aos sentimentos de esperança e fé, por que não com meiguice e arrogância? Por que não com humildade e orgulho?

Amplio o significado
dos gestos, detalhes,
nuances, palavras,
e a lucidez
é a própria nitidez crua pela vida,
Sob os raios de sol faiscando no ar.

A música
interrompe-se,
o silêncio é aspirado
numa curiosidade.

Pressinto, com alegria
e serenidade,
como sou novo, inexperiente,
indecifrável.
E o coração
quente de uns instantes: o branco da neve
dos sentimentos
polidos deambula
pelo espaço da verdade.

Um brilho todo especial
sinto nos meus olhos.
Um vento surge ininterrupto,
procurando-se,
entre ambiguidades e dubiedades,
entre dialécticas e contradições,
entre nonsenses,
Contudo,
criando margens
a falácias de toda ordem,
ambiguidade de toda natureza,
sinto exigir de mim
um comportamento,
atitude.
Sei,
no instante de agora,
nem um pouco
estou em condições de ir
ao fundo de meus…
– Amor, olha-me no rosto! –
… sentimentos.
O olhar,
perspicácia aguda do vestir…
É preciso que me sinta!
… e a esperança
de viver seja o renascimento
da beleza.
A vida nova treme em cada
gesto,
olhar,
sentimento.
A ternura
arfa-se plena…

Sin-estesias de ventos soprando poeiras que perpassam luzes – minhas vistas nublam-se – que perpassam luzes, quê magia dos mistérios do além!, ensimesmadas as perspectivas de visualização. Míticos rituais do efêmero, mistícas lendas do pleno, metáforas do nada reversando verdades do vir-a-ser, inversando origens do verbo, raízes do ser, espectros do não-ser incidindo sob o domus do templo, suspensos os ideais eternos das geneses do espírito.

Reversos abismos inversando chapadões sob o velar vésper do não-ser que não é o nada e o nada que não é o não-ser.

Vertigem de me perder, de tudo negar, de não me assemelhar a nada, de quebrar para sempre o que me define, de oferecer ao presente a solidão e o nada, ao futuro as utopias e a esperança de encontrar a única plataforma da “Estação Liberdade”, onde os destinos se podem re-iniciar, ascender. A tentação é perpétua.

Lâminas simbolizam sentidos que se foram, machados metaforizam sentimentos que hão de vir, emoções a serem vividas, não pinto em nenhuma tela uma figura sem rosto, não escrevo em nenhuma página um “eu” sem imagem ou perspectiva, alcanço a mente quotidiana, trazendo à beira de um sítio qualquer do rio de águas límpidas sem mar-gen-tende ausência de pressa, porque rosas ou lilás com-binam sonho e espírito em mãos que se estendem à descoberta da comunhão… da síntese… Porque ventos ou sibilos aderem esperanças e utopias à margem das dores e sofrimentos.

Entre uma linha e outra de um poema,
mostro a queda da razão,
o sublime, a emoção,
a ascensão do intelecto,
O indivíduo cresce em sua medida
e realidade de suas emoções,
sentimentos.

Entre um amadurecimento da forma de esclarecer
um sentido e um tornar sensível uma sensação,
o desequilíbrio,
a convivência,
a dor; amor.
Sente as formas transarem o estilo…
Amor,
estou com sono!
Na nesga da cortina fechada,
Miríades de raios do sol, brilhando…
Tarde quente… Ventilador ligado…

Caminho para a ingenuidade – pouco importa se o relógio ocupa toda a tarde, se o pêndulo bate as horas certas; para a inocência – a minha alma é simples e não pensa; para o in-criado – na eternidade, não há tempo; a eternidade não é mais que um instante, cuja duração não vai além de um sorriso muito mal esboçado no rosto; para Deus – uma porta que se abre e entra -; a vida, para mim.

Numinismo…

(**RIO DE JANEIRO**, 22 DE FEVEREIRO DE 2018)

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