Oh, se tu, Filosofia, fosses vã

Meu coração sonha, sonha o indizível, sonha os mistérios, sonha o in-audito, sonha o sonho. Turvo clarão de raciocínios tristes por entre sombras me conduz, e a mente, rastejando a verdade, a des-encanta; nem doloroso espírito se ilude, se o que, dormindo, creu, crê, despertando. Até no afortunado a vida é sonho (sonho, que lá no fim se verifica em versos imortais, como o princípio
Etéreo, criador, de que emanaram; sinônimos parecem corno e verso, quando em linhas venais esparsas congruências rimam ipseidades). Minh´alma vive esperanças, sente o amor que era longínquo, que era genesis, que era princípio. Invisível ao lince dos olhos, pulsando no mais profundo de mim o imperfeito plen-ificando todas as vacuidades.

A voz do silêncio a-nuncia-me palavras dos sentimentos, semânticas de querências, linguísticas de in-fin-itivos verbos do sublime, metáforas evangelizadas da genesis do infinito; re-vela-me versos do amor, carinho, ternura, trans-cendendo as meras pers-pectivas do cotidiano, sin-estesiando os volos do ser. A voz da esperança ouço-a nos interstícios do silêncio, nos re-cônditos da solidão de con-templar os horizontes longínquos, dizendo-me verbalizar os desejos, vontades. É compor de atitudes e ações presentes o som musical do verbo-[de]-amar, o ritmo poético da sin-estesia-do-divino, a melodia literária do ex-tase das plenítudes. Que versos hão-de ser, ou versos foram,
quando o que a Musa quer é só que o sejam do silêncio a filosofia da voz, da voz a filosofia do silêncio, da filosofia o silêncio da voz.

As dores da distância, as janelas abertas, horizontes à frente a-nunciando outras realidades, vivências, experiências – re-fazenda, re-novação, in-ovação, re-nascimento, re-começo, o amor vivido nos interstícios da alma, sentimentos, emoções, sensações, a-núncio de verdade espiritual, realidade vivencial, vivenciária. Quem pelo seu saber tudo trans-cende, os céus criando, guias elegeu-lhes; e toda parte a toda parte esplende, pela luz que igualmente concedeu-lhes. Assim fez aos mundanos esplendores, geral ministra e diretora deu-lhes, que em tempo os bens mudassem enganadores de raça a raça contra esforços de humanos sabedores. Enquanto o sábio arreiga o pensamento
nos fenômenos da natureza, ou solta árduo problema, ou sobre a mesa volve o subtil geométrico instrumento, galgo as intempéries de estar no mundo.

Signo de nada/metáfora de tudo. Da aurora ao crepúsculo a continuidade do dia, as lutas pela vida, pela sobrevivência, pelas conquistas e realizações de verbos tricotômicos, de versos, de alegrias e fantasias do pleno e absoluto. Dos idílios e sorrelfas às ilusões efêmeras e vulgares, perpetua-se nos raios de sol
a busca de verdades, a querência do sublime, do silêncio. Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava em mim quase imortal a essência humana! Assim passo, assim vivo, assim meus fados, assim minhas polkas, me desarreigam d’alma a paz e o riso, sendo só meu sustento os meus cuidados.

Imagens se a-nunciam, ainda que mister seja senti-las bem íntimo para que desenhadas em letras e sentidos, verbos e versos, o que perpassa a alma seja revelado com acuidade e perfeição.

O uni-verso na verticalidade do verbo em sua utopia estética e ética da consciência se me apresenta in-completo, tenho-lhe de encontrar nas rimas sensíveis, nas entre-linhas do sentido, a metáfora que suprassuma a razão, o símbolo que eleve a intuição, imaginação, a sensibilidade.

Vívida linear-idade geo-metriza a noite, cristal-iza a passagem de seu tempo
que germina, diamantiza a travessia do serrado ao deserto, gera outras perspectivas da aurora, da continuidade do dia, diante das situações e circunstâncias de todas as contingências, árduas labutas, cansaços e problemas, medos e misérias, ao crepúsculo, grávidas de sorrelfas e in-verdades, de idílios e fantasias, de quimeras, sonhos do verbo “PERPETUAR”, utopias de realizações e prazeres, desejos do pleno e sublime, da Verdade e da Vida, concebe outras imagens, por vezes nítidas do in-finito das querências nas ad-jacências dos limites e trans-cendências dos con-tingentes liames entre o lícito e o ilícito, a verdade e suas in-verdades de percepção e análise, das utopias que habitam o espírito, por vezes en-veladas do uni-verso de equívocos, clar-itude de silêncios, nas linhas ilimitadas de alhures, na vers-ificação espontânea e livre de outros amanhãs, de outras veredas.

Ouço a voz da esperança, esperança antes abstrata, metafísica, liberdade à luz do que há-de vir, uni-verso aberto à luz do porvir de felicidade, alegria, prazer, contentamento, genética da alma, encontro, espiritualidade aos raios numinosos do amor.

Antes de estar ouvindo a voz da esperança, sentia e pensava que era destino perder os entes queridos para a vida, para as idéias e pensamentos, “con-templei a filosofia”, o coração sonha o resgate do ser, a alma deseja o in-ventário do não-ser, o espírito alça voo ao in-finito longínquo.

(**RIO DE JANEIRO**, 10 DE JANEIRO DE 2018)

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