Pelos campos sem alhures

“Lágrimas que tão-só tecem e destilam desejo e ânsia e volúpia de que alvorecerá.”
Como um demente recito Ovídio ao in-verso de declamar poesia que verseja a inerência dos padecimentos, conteúdos de perdão, de carícia, jorrando sob o tapete, concebendo a poeira de leve a cobri-lo, adiposo, qual mito desmontado, versifica a irreverência da comiseração, falácias de compreensão, entendimento, seduzindo as verborréias do tempo e do vento.
Amanhã recomeço.
Sentidos… Toadas de primevos tempos, tempos sui generis de esperanças outras do ser e do verbo, tempos recentes de verdades milenares en-veladas nas contingências compassam abalos, temores, reminiscências, o ânimo vagabundeia pelas tortuosas voltas da existência, per-vagando de devaneios quereres, querências, desejâncias, centelhas de sol, chamas de lareiras, recaindo nas águas, a resvalarem vagarosas no rio sem ribas, pelos campos sem ALHURES…, per-correndo veredas, perpassando horizontes de simulacros, a-nunciações na fenda da alma, blandícia de amor ampla de aspirações, eloquências de derretimento contaminadas de arrebatamentos, concupiscência de deleites e pancadas de deleitação, re-festelamento, fulgurando bem-estar à luminosidade de ápices a aprumarem nuances de transitórios delírios a favor de quimeras jovens, fantasias juvenis, concepções às cavalitas de esvaziados inomináveis, de nadificados inconcebíveis.
É preciso mesmo tempo, vontade e certa conexão com a teia da aranha, confeccionada para apreender os insectos, para poder apreciar a beleza singular das circunstâncias e situações que povoam as sombras do pretérito, con-templadas nas letras.
Sem rota ou pensamento, numa incerta hora gélida, presumo estar livre de tudo, de atingir qualquer porto propício em acordar memórias, lembranças… e as folhas da palmeira crescem, coqueiro-de-espinho desolado se alteia, cactus do deserto à luz do sol incandescente produz a água que saciará um pouco a sede dos peregrinos. Razão sem razão de me agoniar sobre restos de restos, o resto é devaneio,desvairar é resto de devaneios, inclinar aflito sobre vestígios de vestígios, de onde nenhuma sublimação, nenhum alento vem refrescar as chamas voluptuosas do repensamento. Quando só há lembranças, recordações, ainda menos, menos ainda, tiquinho, nada, nada de nada em tudo, não vale a pena acordar quem acaso se refestela na colina sem árvores, no pico sem castanheiras, nas serras sem orquídeas. Se acaso é res-ponder a enigmas inauditos, somar-lhes um enigma inaudito mais alto, a mistérios interditos, comungar-lhes algumas lendas e causos, tomar um copo dos grandes de suco de graviola numa tarde de temperatura a quarenta e cinco graus, quê inferno. Putz.
Nem a hora que passou logra tornar atrás.
nem a onda que passou voltará de novo a ser chamada,
Com passo rápido se escapa a idade, e não é tão boa a que vem depois, quão boa foi a que veio antes.
Com um olhar introspectivo, circunspecto, havendo num dos olhos um pequeno desvio, só mesmo visto com atenção, se observar bem, a todas as coisas, objetos, e com certa reticência o homem, acrescentar-llhe um inaudito e interdito em uníssono em alguns mentiras e lorotas, saltita, sapateia, dança a dança do nonsense e do orgulho congênito. Imagino que luz ele trará à solidão do quarto na madrugada secreta de sentimentos acumulados, pensa logo que des-cobriu enxada para plantar os grãos de pimenta que arderá por toda a eternidade.
De facto, disponho penas em filas, [começando pelas mais curtas, a curta seguindo a longa], a ponto de se julgar crescerem num declive: assim cresce gradualmente a flauta campestre com as suas canas desiguais. Não peso nas penas, e, demasiado alto, não as queimo o fogo. Voo entre as penas e o fogo.
Contemplar cintilante, indagando as sortes remotas por cujas cintilâncias a vida posterga poemas de eloquências do ânimo necessitado, transcorrendo a lua de valdevinos fulgores, em cuja matriz da criação da arte o conhecimento do estético se delineia; sou a avidez de lágrimas lúdicas-diáfanas, cujas gotas pequenas, uma a uma, são exteriorizações de distintas avidezes, de diferentes anseios da faculdade do âmago – adorar, natura – outorgar-me, espírito-vida-distinto-do-distinto. cujos corpúsculos, espagíria a espagíria, são horizontes de primitivos delírios à luminosidade de trans-actos.
Sou esta conjuntura de nume, através de cujos simulacros, ópticas e perspectivas, aprecio, abrilhanto, entrevejo, ilumino e irradio o amor – resplendor – de – habitar a perfeição, arrefecida de míngua a experimentar as achas do susceptível a escaldarem-se na lapeira da genuína casualidade…
O sublime, a eternidade, o amor caem, são plumas. Nenhum fragor denuncia o momento entre o eterno e o efêmero, entre o fugaz e a eternidade, entre tudo e nada. Mistérios à feição de flores abertos no vácuo. Volto aos mitos pretéritos, quando só há inspirações, vale a pena re-colher as etéreas imagens, vale a pena re-sentir o re-sentido que re-sente, vale a pena re-fazer de perspectivas e luzes – onde a pena?, pena não há! Se de tudo fica um vestígio, por que não ficaria um vestígio do sensível? no silêncio de entre a intenção e a realização.
O olhar ora em rebeldia, ora dormitando… livre, foge rumo ao Nada, indomável ou carente à cata do possível ou impossível, dominável dentro da própria fértil imaginação, rompendo seu imensurável domínio, circulando labirinticamente, vagueia.
Limite do sentimento da terra. Nos intervalos secretos da alma conjunturas, instantes, vocábulos não fluem expressões, desapoquentação, carmes, estâncias não asseveram o carme construtivo, incomunicação, renques, alamedas, terreiros, locais interiores, veredas ermais, veredas de remotos apetites, no corpóreo a comparência da brasa, sem desígnio, sem orientação, sem desconsolo, sem moléstia, sem constrição, sem taciturnidade. Nentes. Incomunicação. Ermal. Molham-me de lágrimas as envelhecidas faces, tremem-me as mãos.
Quietude.
Expectação do congraçamento.
Anelo do bem-querer integral.
Ser da época, época do ser.
vis-à-vis,
Tecem e destilam desejo e ânsia
E volúpia de que alvorecerá.
Ser da geração,
Toda geração tem
Futuro de não-ser, completo de hostis reflexos, memórias, anamneses, de em alguma parte apetites do verso-dom do zunido de ímpetos trespassando o ser do período, sibilo de ex-tases perpassando períodos do ser, de em outros lugares expectativas da vers-ificação-sentimento belo, observar o igual flúmen de lágrimas puras, vítreas sete vezes. A festividade é funesta; forma-se, baila-se, a fisionomia me liquefaz as idéias que amputam com instrumento de folha metálica amolado meu ido e vindoiro e me solto cingido, emaranhado no lince de meiguices, des-memoriado no distanciamento que me inibe, introspectiva-me, circunspectiva-me, e sou intros-pectivado, circunspectivado, minh´alma é frouxa, tranquila, lenda alguma des-vela-rá, re-vela-rá limpida e trans-parente, e se afaz a todos os trejeitos do físico.
A festividade é funesta. E mais que funesto divulga-se o tempo. Mundo desabitado, repleto de gradações do imperecível, luxúrias, arrebatamentos. Não constituo poemas que cadenciam expectativas e eventualidades dos sofrimentos da alma lobrigando mais longe das serranias os transitórios do desvelo, a transitoriedade dos devaneios que procedem a escuridão sustada no patamar dos evos, o esvaecimento das quimeras que antecedem o nascer do sol nalgum limite da madrugada. O bailado é anedótico; escarnece-se, cascalha-se, coscuvilha-se, as antefaces são Poáceas vivazes, os olhos desmaiem as representações que se declaram escurecidas de xises do inacreditável, inconcebível, indescrítivel, inaudível, e me largo desempenhando o plano de ação de risíveis aos olhos da assistência alienada de meias-tintas da circunstância.
(**RIO DE JANEIRO**, 19 DE NOVEMBRO DE 2018)

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