Quero

Quero
o sibilo de vento entre serras,
quero
o vazio no templo das quimeras,
quero
o vácuo no instante dos idílios.

Quero
Ébrio de sons, kambaio
De claves,
Melodias pers de utopias,
Na metalinguística da expectativa
Da liberdade em questão,
Na meta-estilística da esperança
De o Ser ventanear pelas alamedas
Das Contingências, deixando a sensação
Das etern-itudes;
Ritmos retros de fantasias
A revelarem os acordes do tempo
Sentimentos que florescem
No des-abrochar
Da pétala da existência
Mais reverenciada,
Mais irreverente,
Mais rebelde,
Essa singeleza
De esvaecer trevas e mistérios
Que entre
Os sibilos do vento se filtra.

Quero
a ausência no momento dos devaneios,
quero
o oco no minuto da solidão,
quero
o opaco no segundo da certeza.

Quero
Ébrio de sons, berbido de idéias,
Sibilos do vento
Musicalizando anunciações
De sentimentos que reverenciam
Ideais, utopias da Káritas,
Bêbado de imagens, perspectivas,
Luzes, contra-luzes,
A cor do lápis, da tinta,
Tonalizando presentificações
De sensações que verbalizam
O íntimo, o abismo do ser
No despetalar do estar-no-mundo
Por que o Ser e não o Nada?
Corre o tempo
Nas cordas do violão
De encontros, desencontros
Amores, desamores.

Quero
o eco no átimo da confiança,
quero
o carinho no tempo da desilusão,
quero
a ternura no tempo do fracasso.

Ébrio de sons,
Quero mergulhar na música
Afogar-me nela
Sentir as notas do espírito,
Dançar baladas
No palco do infinito…
Panorama de imagens,
Paisagem de pinturas
Quiçá pintar peças
No camarim do universo
Sob a luz das constelações,
Dos raios de sol.

Quero
a carícia no momento da angústia,
quero
a compreensão na hora da dúvida.

Quero
a meiguice no minuto da insegurança,
quero
o amor no segundo do tédio…

Quero
a felicidade no tempo de amor,
a alegria no minuto do prazer,
o prazer no instante de paz,
a paz na hora do gozo,
o contentamento no segundo do clímax.

Quero
In-versar o re-verso sem colocar
O avesso e as suas re-vezes de lado,
Trocando de pele a cada primavera per-versa:
Cada vez mais jovem, mais voltado para o há-de ser,
Cravar minhas raízes cada vez mais rigorosamente
Nas profundezas,
No mesmo instante-limite abraçar os céus,
Joelhar aos pés da terra cada vez mais amoroso
E extensamente, absorvendo sua luz, com avidez
Inda maior,
Com todos os meus ramos e folhas.

Quero
Re-versar o avesso dos ideais,
Solsticiados de volos e vontades da plen-itude,
In-versando os re-vezes no ínterim do alvorecer
Do crepúsculo, do entardecer, do anoitecer,
Alvorecendo as idéias, os pensamentos,
Con-templar é saciar a sede do conhecimento,
Anoitecendo e madrugando as fantasias e ilusões,
E intimamente, sorver o sabor da busca do saber.

Quero re-vezar os solipsismos
Com as teias das ipseidades,
Com as linhas das dialécticas,
Nas ondas de poeira que o vento artificia
Na sua passagem pelas estradas de terra,
Pro-jetar os suplementos poéticos do eterno
Alhures, voando nos algures do silêncio e da luz.

É isso, é isso
que não consigo assumir: o poema
caminha para o devaneio.
Tudo é futuro
e, no presente,
nada existe.
Nem mesmo o homem.
Só palavras…

(**RIO DE JANEIRO**, 21 DE FEVEREIRO DE 20118)

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