Quisera o sido

Quisera o sido esvaecido nos tempos esquecidos de utopias, ideologias, nos momentos perdidos de ideais e idéias, con-tingenciados de nadas, nonadas.

Quisera o amor sido des-novelado de desejos de pre-enchimento do vazio, carência, ato falho, ato fálico, des-envolvido das imaginações fertéis que o artificiam criando, re-criando, inventando sentimentos além da vida, além da ec-sistência, pulsando o peito de alegrias in-inteligíveis, felicidade in-audita, prazer in-descritível, volúpias in-visíveis, des-ligado do cordão umbilical do absoluto, do divino, do pleno, do eterno.

Quisera o sido vazio de sonhos, esperanças, quimeras da verdade, embevecido nos abismos, nas colinas, nas serras e montanhas, dissolvido nas chamas das fogueiras, nos flocos de neve, nos pós que cobrem as folhas das árvores, pétalas das flores.

Quisera o sido sido nada, sido sombra, sido trevas, sido brumas, sido deserto, sido imperfeita imperfeição, sido sendas desconhecidas, sido veredas insensíveis, sido trilhas inóspitas,
sido de nada ter sido, sido de nada haver sentido, sido de não ter sido sido.

Quisera o sido não haver proclamado, enlevado a verdade aos auspícios do pico, respondendo por todas as dúvidas, inseguranças, medos, ignorâncias; não ter res-pondido com excelências e solenidade às injustiças, desrespeitos, preconceitos, discriminações, contradições e dialécticas, fracassos e frustrações, inutilidades e incompetências, desgraças e tragédias, a vida ser o que é.

Quisera o sido não ser particípio, não servir de justificativa, explicação, anestesia, morfina para as dores dos sonhos não realizados, das querenças não concretizadas, do amor não cor-respondido, do poder não alcançado, dos dons e talentos não tidos, das lágrimas pujantes das ingratidões, das náuseas dos solipsismos, das angústias das ipseidades, facticidades, dos tremores e temores do desconhecido.

Quisera o sido não ser particípio do ser, após ele é o sendo, após o sendo ser a busca, a desejança, a vontade do pleno, do absoluto, do divino, da eternidade na roda-viva, no redemoinho, no catavento do Ser.

Quisera o sido sendo, sendo a tese, a antítese, a síntese do nada e do vazio…

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