Se… Alma da vida

Se no horizonte
Brilha o sonho dos desejos,
Êxtase da carne, volúpia do gozo,
No verbo do prazer
O corpo dança o fado do Ser
Amor,
Carinho,
Entrega,
T
e
r
n
u
r
a…

Se no uni-verso
Cintila a luz das esperanças,
Difundindo de modo harmonioso
Querência do absoluto, clímax do divino,
Desejanças da verdade que res-plandece
da liberdade que tremeluz
No verbo lúdico dos sentidos,
das percepções,
das imaginações,
das intuições,
Sentimentos do eterno espírito do amor
Esplendem de carícias, toques
A sensibilidade da alma –
Carente de finitos e in-fin-itudes –
Alegria,
Felicidade,
Amor de sonhos do Verbo…

Se no alvorecer
As pétalas de rosas des-abrocham
Exalam perfumes di-versos, ad-versos
Seduzem os beija-flores a sugarem-lhes
o néctar
O porvir da beleza, do belo,
O criar sendas por onde trilhar
Estendidos nas sendas silvestres
Do pleno à luz das utopias eternas
Da verdade absoluta,
O perfume exalado ao deus-dará
Dos alhures do tempo apocalíptico
Na roda-viva do Ser,
No catavento da Con-tingência,
No redemoinho da Metafísica
Transcendente das Travessias Imortais,
Iluminam de luzes fosforescentes
Os interstícios do abismo…
Numinam de cores do arco-íris os auspícios da colina,
Onde os lobos uivam livres e serenos,
Onde as serpentes perscrutam as adjacências.

Se… Alma da vida
Ó alma, alma minha!
Minh´alma,
eu carecia,
Para atravessar o abismo
cujo fim não vislumbro,
E para durante a noite até Deus
eu ascender,
De construir uma ponte
e em mil arcos a estender,
Se em mil arcos não a estender,
é que não engenhei
o sonho.

Se à luz das estrelas e luas
Na noite de buscas de re-nascimento,
Re-fazenda de idílios, sorrelfas,
A alma mergulha profundo nos interstícios
Do além,
(Seria que a alma fosse assim dotada
para este mergulho? Nada posso declinar.)
Desejando a essência do espírito,
A luz, que se esvaece no crepúsculo,
Estende seus raios,
Ainda que, entre-brilhos, de versos inconscientes,
entre-meios, de estrofes imaginárias,
Ao portal da eternidade,
Soleira da travessia,
Ângulo do zero obtuso,
Prisma do nada elevado à quinta potência
Por onde con-templar
As ad-jacências do solene, sublime
Desejo da perpetuidade,
À mercê da posteridade
Que nasce das cinzas da morte e da vida
Na perspectiva primeva, secular, milenar
Da gêneses
Do Caos, Cosmos, Chronos…

Se,
tempo incondicional
do só fantasias,
O pleno, absoluto, verdade
Advêm dos sonhos, esperanças, fé,
As con-tingências elevadas ao vir-a-ser
Das liturgias e cânticos do além-eterno,
Das exegeses e apocalipses do nada-divino
Trans-elevado ao índice divino da gênese,
Trazem no bojo e algibeiras
O eidos da essência
– Verbo do Espírito,
Alma da Vida…

(**RIO DE JANEIRO**, 31 DE JANEIRO, 2018)

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